
Em 2002 um documento aprovado pelo Vaticano surpreendeu judeus e católicos. Afirma o documento que "a espera dos judeus pelo Messias não é em vão". Tal posição firmada oficialmente pela Igreja Católica.
O trabalho assinado pelo então Cardeal Joseph Ratzinger, Hoje o Papa Bento XVI, causou na altura grande surpresa. O teólogo, tido como conservador, disse que "cristãos e judeus compartilham da espera pelo Messias, embora os judeus aguardem sua primeira vinda e os cristãos, a segunda", e ainda destacou, " a diferença reside no fato de, para nós (cristãos católicos), aquele que virá terá as mesmas características do Jesus que já veio". Logo há uma grande convergência entre o judaísmo e o Cristianismo, neste caso entre o catolicismo que assumiu plenamente a coerência dos judeus ao esperarem o Messias. Isto é, o Messias para os Judeus ainda não veio, ou por outras palavras veio como Messias dos Gentios e isso corrobora a posição judaica.
Afirma ainda o documento do então Cardeal que recomenda ter cuidado ao interpretar-mos o Novo Testamento Brit HaDasha / ברית חדשה, pede desculpas pela interpretação negativa que se fez dos fariseus, pois, frequentemente, foram "usadas para justificar o anti-semitismo" no ambiente católico. Sabendo-se hoje que Jesus foi um Rabbi fariseu mas de tendências moderadas ou mesmo renovadoras, com aproximação à Escola (Yeshiva) do Rabbi Hillel e do movimento dos Essénios. Pois tem-se evoluído muito no campo da teologia Cristã e Judaica, desde 1947 com as descobertas dos Manuscritos do Mar Morto em Qumran / Israel.
O rabino Alberto Piatelli, de Roma, surpreendeu-se com as afirmações apresentadas no trabalho, principalmente por partirem do autor do documento - Dominus Iesus - que causou um grande mal estar nas relações entre a Igreja Católica e as outras Igrejas Cristãs. Para o Rabino, esse trabalho é "um avanço no sentido de fechar as feridas abertas pelo outro trabalho". E disse ainda, " Ela (a Igreja) reconhece o valor da posição judaica no que se refere à espera pelo Messias, altera toda a exegese dos estudos bíblicos e restaura o sentido original de nossas passagens bíblicas". Também para o professor Michael Marrus, especialista em história do Holocausto da Universidade de Toronto, o novo documento " é importante... é um progresso notável nas relações entre católicos e judeus".
As afirmações apresentadas pelo então Cardeal Ratzinger não representavam grande novidade teológica. Essas ideias circulam entre os pensadores cristãos há algum tempo. Portanto, a novidade não está no que foi afirmado, mas no fato do Vaticano ter assumido oficialmente outra experiência messiânica além da cristã, chocando-se com conceitos ainda muito presentes, principalmente nos meios católicos mais tradicionais. Mas vem dar aos movimento restauracionistas dentro da Igreja como os Hebreus -Católicos um novo alento, bem como aproximar o catolicismo dos judeus em particular os messiânicos.
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